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De quem é a culpa?


Enquanto a pandemia do novo coronavírus alivia a Ásia, desloca seu epicentro para a Europa e alarma o continente americano, EUA e China acionam teorias infundadas em busca de um culpado pela disseminação da doença que já infectou mais de 220 mil pessoas. A troca de acusações reacende hostilidades costumeiras entre as duas maiores economias do mundo, que no ano passado protagonizaram uma desgastante guerra comercial.

Tanto Trump quanto o presidente da China, Xi Jinping, foram muito cobrados pela demora na reação em seus países e agora precisam prestar contas internamente. O governo chinês é acusado de encobrir informações sobre o início do surto.

Quando a doença se espalhou, era tarde. Cerca de 50 milhões de moradores de cidades da província de Hubei foram isolados, e Pequim montou uma operação de guerra para a construção de dois hospitais a toque de caixa. O médico que alertou sobre os primeiros casos da doença acabou preso e morreu, após ser infectado. E todos os mecanismos de censura entraram em ação para conter a indignação popular. O governo chinês parece tirar proveito da situação, agora que o número de novos casos da doença é maior fora do país e a situação aparentemente volta ao seu controle. Dissemina teorias sobre a sua origem, nas quais os EUA, que no auge da epidemia restringiram a entrada de cidadãos provenientes da China, são o principal vilão.

A recíproca é verdadeira. Após ver-se livre do julgamento do impeachment, Trump subestimou a chegada do surto ao país. A realidade gritou. Os casos se multiplicam em velocidade assustadora e já atingem os 50 estados.

O presidente despertou, aturdido sob a perspectiva de uma recessão em ano eleitoral. Recorreu à velha tática de buscar um bode expiatório, agora na forma de um vírus estrangeiro -- no caso, chinês.

Ambos os governos acirram a retórica agressiva. Os EUA limitaram o número de empregados de empresas de comunicação chinesas no país. A China devolveu, anunciando a expulsão de repórteres do “Washington Post”, do “New York Times” e do “Wall Street Journal”. Esse apagão informativo certamente ajudará na difusão de novas teorias conspiratórias sobre a origem da pandemia.

Fonte: G1

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